ENCONTRO DAS AMERICAS


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o primeiro líder da América Latina a se reunir pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, depois que o norte-americano foi empossado no cargo, conforme informou a Casa Branca. O encontro de sábado (14) ganha importância aos olhos da comunidade internacional por acontecer a poucas semanas da reunião de cúpula do G-20 e por ocorrer em meio à pior crise dos EUA, e da economia mundial, desde a Grande Depressão.
A disposição de Obama para o encontro com o presidente brasileiro em meio aos problemas crescentes dos EUA indica reconhecimento da importância do papel do Brasil não apenas na região da América Latina, mas também em caráter mais amplo, como colaborações no âmbito do G-20, de acordo com especialistas em Nova York que participaram de um painel em preparação para a chegada do presidente brasileiro ao país.
Como presidente eleito, ainda sem tomar posse, Obama encontrou-se com o presidente mexicano, Felipe Calderón. Assim, se ampliarmos a conta para incluirmos também o chamado Hemisfério Ocidental, com as Américas de norte a sul, Lula será o terceiro líder a se encontrar com o presidente dos EUA, que já havia se encontrado com o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, lembra a presidente do Conselho das Américas, Susan Segal, que por mais de 25 anos desempenhou funções ligadas aos mercados emergentes e integrou comitês internacionais durante a crise da dívida da América Latina na década de 1980.
"O encontro é bastante simbólico uma vez que estamos nos aproximando do encontro do G-20. Há muitos líderes do G-20 que não terão se encontrado pessoalmente com o presidente Obama antes da reunião", cita. Há outra razão que deixa o encontro repleto de simbolismo, acredita Segal. "Sendo uma observadora do Brasil desde o início da década de 1980, (sei que) o presidente Lula tem experiência em águas turbulentas da economia. Muito mais experiência do que nós (os EUA). E, se você olhar, o Brasil hoje tem, por exemplo, um sistema bancário bastante sólido. E parte deste fato foi consequência das crises de 1980 e 1990. Então, ele traz para a mesa bastante experiência."
Segal acrescenta que, em setembro de 2008, quando o presidente visitou Nova York para os debates da Assembleia Geral das Nações Unidas e fez palestra em jantar organizado pelo Conselho das Américas, Lula disse para ela que queria que "nunca mais que o povo (brasileiro) experimentasse outra década perdida". Para ela, o encontro deste sábado "reflete o reconhecimento das oportunidades (entre os dois países) para colaboração no G-20 e no Encontro das Américas que vai ocorrer em meados de abril, em Trinidad e Tobago".
O embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, que será um dos observadores do encontro entre os presidentes, afirma que este é um "momento excitante para representar os EUA no Brasil". Embora diga que não deseja especular sobre o que os presidentes vão conversar amanhã, diz que "não ficaria surpreso" se as conversas incluírem G-20 e crise financeira, energia e clima, como, de fato, grande parte dos outros participantes do painel também esperam.
A diretora gerente do JP Morgan e chefe para mercados emergentes da instituição, Joyce Chang, diz que é de "encorajar" o encontro dos dois presidentes antes da reunião de cúpula do G-20, em abril. "O Brasil é um dos principais parceiros comerciais dos EUA, a maior economia da América do Sul, tem recursos abundantes em commodities e áreas para cooperação e oportunidade para negócios nos EUA", acrescentou. "Não acredito que novas iniciativas comerciais possam ser uma enorme prioridade para os EUA ou grande parte dos mercados emergentes", acredita Chang.
As discussões dos presidentes, assim como deve ser o tom posteriormente no G-20, estima a analista, devem dar mais ênfase "em evitar protecionismo em geral e protecionismo financeiro, como controle de capitais, e deve haver discussão sobre coordenar esforços de estímulo fiscal por causa da crise financeira".
Para o sócio-fundador do fundo de hedge Tandem Global Partners e ex-diretor do BC para Assuntos Internacionais, Paulo Vieira da Cunha, o encontro deve ter foco em questões na região, como Bolívia, Argentina e tráfico de drogas. "Além, obviamente, da crise financeira e do encontro do G-20. Minha expectativa é de que Lula traga para este encontro uma posição de força. Os dois presidentes são simbólicos, em suas próprias maneiras, para cada um dos seus países. Deve ser um encontro muito bom", estimou.
Na avaliação de Vieira da Cunha, diante da estatura política do Brasil na América Latina, a liderança do País será importante em iniciativas que tiverem como objetivo envolver outros países da região. O encontro de amanhã, realizado na Casa Branca, tem início previsto para as 12h05, no horário de Brasília. Está prevista declaração à imprensa às 13 horas, também no horário de Brasília, de acordo com informe distribuído pelo Ministério das Relações Exteriores.
No encontro, o presidente Lula estará acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Na segunda-feira, Lula é o principal palestrante de evento em Nova York, do qual também vão participar lideranças do setor privado, como o presidente da Vale, Roger Agnelli, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.(AE)

1 comentarios:

layne disse...

li que o Brasil estaria reinvidicando milhões de dólares dos EUA, talvez seja pra falar sobre essa "divida", será?

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