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A LISTA



De Oswaldo Montenegro
Faça uma lista de grandes amigos,
quem você mais via há dez anos atrás…
Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais?
Faça uma lista dos sonhos que tinha…
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre…
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece,
na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora…
Quantos mistérios que você sondava,
quantos você conseguiu entender?
Quantos defeitos sanados com o tempo,
era o melhor que havia em você?
Quantas mentiras você condenava,
quantas você teve que cometer?
Quantas canções que você não cantava,
hoje assobia pra sobreviver …
Quantos segredos que você guardava,
hoje são bobos ninguém quer saber …
Quantas pessoas que você amava,
hoje acredita que amam você?

PARA TODOS





Para os quem tem xenofobia, espelhem-se nele




CHICO BUARQUE
o meu pai era paulista
meu avô, pernambucano
o meu bisavô, mineiro
meu tataravô, baiano
meu maestro soberano
foi antônio brasileiro
foi antônio brasileiro
quem soprou esta toada
que cobri de redondilhas
pra seguir minha jornada
e com a vista enevoada
ver o inferno e maravilhas
nessas tortuosas trilhas
a viola me redime
viva erasmo, ben, roberto
gil e hermeto
palmas para todos
os instrumentistas
salve edu, bituca, nara
gal, bethânia, rita, clara
evoé, jovens a vista
o meu pai era paulista
meu avô, pemambucano
o meu bisavô, mineiro
meu tataravô, baiano
vou na estrada há muitos anos
sou um artista
brasileiro

o meu pai era paulista
meu avô, pernambucano
o meu bisavô, mineiro
meu tataravô, baiano
meu maestro soberano
foi antônio brasileiro
foi antônio brasileiro
quem soprou esta toada
que cobri de redondilhas
pra seguir minha jornada
e com a vista enevoada
ver o inferno e maravilhas
nessas tortuosas trilhas
a viola me redime
viva erasmo, ben, roberto
gil e hermeto
palmas para todos
os instrumentistas
salve edu, bituca, nara
gal, bethânia, rita, clara
evoé, jovens a vista
o meu pai era paulista
meu avô, pemambucano
o meu bisavô, mineiro
meu tataravô, baiano
vou na estrada há muitos anos
sou um artista
brasileiro

IDEOLOGIA

Cazuza e Frejat


Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito
Ah! eu nem acredito...
Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do "Grand Monde"...
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver...
O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs
Não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar
A conta do analista
Pra nunca mais
Ter que saber
Quem eu sou
Ah! saber quem eu sou..
Pois aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muro
Em cima do muro...
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Pra viver...
Pois aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muro
Em cima do muro...
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver..
Ideologia!
Pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver...

A FELICIDADE

Tom Jobim


Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

Uma Arte


Uma Arte

A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.
(Elizabeth Bishop; tradução de Paulo Henriques Brito)
A norte-americana Elizabeth Bishop nasceu em Massachusetts, em 8 de fevereiro de 1911, e morreu 68 anos depois, em Boston. Em 1952, depois de uma viagem pela costa brasileira, Elizabeth encantou-se pelas montanhas de Petrópolis e lá permaneceu por longos quinze anos. Durante esse período, escreveu numerosos registros e poemas, como o transcrito acima.


SEU ROSTO É UM JARDIM



"Sorria,sorria sempre.
O sorriso lhe atrairá apenas bons fluidos,que lhe serão muito úteis em sua escalada,

pois ele só se manifesta dentro dos mais puros de forma espontânea e cristalina.
Já reparou como as crianças vivem sorrindo de tudo,
às vezes aparentemente sem motivos?
É porque seus corações não possuem maldade.
Ainda estão puras para serem vítimas do mundo e de suas loucuras.
O sorriso lhe trará alegria,e por sua vez a alegria lhe dará satisfação em tudo aquilo que fizer.
Um jardim é mais bonito com ou sem flores?
É evidente que com flores!
Pois seu rosto é um jardim.
Deixe-o sempre lindo com um sorriso.
Não importa que haja chuva,vento,sol.
Existem flores que ficam ainda mais belas durante a chuva,
pois deixam as gotas d'água correrem sobre suas pétalas.
Existem flores que ficam mais belas ainda quando expostas ao vento,
pois fazem sua beleza dançar de um lado para outro,como se também quisessem voar.
E existem flores que ficam ainda mais belas expostas ao sol,
pois fazem com que os divinos raios realcem ainda mais sua beleza,
às vezes escondida por causa da pouca claridade.
Sorria,sorria sempre".
(A Semente de Deus - Cesar Romão)
Muita paz e amor para você.

ESOTERICO


Esotérico

(Gilberto Gil)




Int.: 
Não adianta nem me abandonar 

Porque mistério sempre há de pintar por aí 

Pessoas até muito mais vão lhe amar 

Até muito mais difíceis que eu pra você 

Que eu, que dois, que dez, que dez milhões 

Todos iguais 

Até que nem tanto esotérico assim 

Se eu sou algo incompreensível 

Meu Deus é mais 

Mistério sempre há de pintar por aí 

Não adianta nem me abandonar 

Nem ficar tão apaixonada, que nada! 

Que não sabe nadar 

Que morre afogada por mim

HAITI Caetano Veloso











Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque, um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for ver a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo...
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui



E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino de primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E ao ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

PACIÊNCIA - LÊNINE



Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...
A vida não pára!...
A vida é tão rara!...

O QUE FAZ VOCÊ FELIZ?

O que faz você feliz?.....
É só você esquecer o merchan que tá valendo ver...





DRUMMOND

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

Carlos Drummond de Andrade

Um adeus... e Residuos


Sempre que alguém querido se vai lembro-me desse poema, o que aconteceu hoje com a morte do Michel Jackson

Resíduo - Carlos Drummond de Andrade

De tudo ficou um pouco
Do meu medo.
Do teu asco.
Dos gritos gagos.
Da rosa ficou um pouco
Ficou um pouco de luz captada no chapéu.
Nos olhos do rufião de ternura ficou um pouco(muito pouco) .
Pouco ficou deste póde que teu branco sapatose cobriu.
Ficaram poucas roupas,
poucos véus rotos pouco,
pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço- vazio - de cigarros,
ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixono
queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou,
um pouco nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudono pires de porcelana,
dragão partido,
flor branca,
ficou um pouco de ruga na vossa testa, retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria um pouco de mim?
no tremque leva ao norte,
no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante? no poço?
Um pouco fica oscilandona embocadura dos rios e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto,
gemido de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsulade revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes
e sob os túneis
e sob as labaredas
e sob o sarcasmo
e sob a gosma
e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos
e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo
e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão.
Às vezes um rato.




As Duas Rosas

Castro Alves

I

São duas rosas unidas,
São duas flores nascidas
Talvez no mesmo arrebol.
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

II

Vivendo... bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho no céu.
Como um casal de rolinhas
como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

III

Vivendo, bem como os prantos
Que em parelhas descem tantos
Das profundezas do olhar.
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

IV

Vivendo... ai, quem pudera,
Numa eterna primavera,
Viver qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor.

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